A profissionalização nunca foi prioridade no Sistema Socioeducativo, até que um grupo de servidores desenvolveram técnicas de Defesa Pessoal, Imobilizações Táticas, e Contenção em Segurança Protetiva baseada na Arte Suave, o Jiu Jitsu. Essas técnicas foram moldadas a realidade do SSE obedecendo às legislações vigentes, como o ECA, o SINASE, a Constituição Federal, e a Convenções e Tratados Internacionais da ONU referentes aos Direitos Humanos e a Dignidade da Pessoa Humana. Surgiu então um projeto denominado Segurança Protetiva, que foi registrado em órgão competente pelo servidor que desenvolveu o programa.
Devido a grande demanda dos servidores por capacitação, os idealizadores do projeto recrutaram alguns colaboradores no intuito de compartilhar as técnicas desenvolvidas para agregar mais recursos humanos na seara da Segurança Protetiva. Foram selecionados profissionais com conhecimentos em Artes Marciais, principalmente da modalidade Jiu Jitsu, que é a base do programa. Porém, devido ao fato de ser muito desgastante e quase impossível conciliar os dias de serviço com as instruções regulares nos dias de folga, muitos outros instrutores qualificados não puderam prosseguir na docência. A partir desse momento, para que o curso não fosse interrompido, as gestões anteriores decidiram investir no projeto quando alguns instrutores passaram a atuar exclusivamente nos treinamentos dos servidores, no desenvolvimento de material didático e na coordenação do curso.
Reconhecendo a importância do projeto desenvolvido pelos servidores e a grande demanda de socioeducadores por profissionalização, o SINDSSE/DF incluiu o aumento do efetivo de instrutores com atuação exclusiva no Programa de Segurança Protetiva como pauta do Plano de Governo para o SSE que foi entregue ao Governador Rodrigo Rollemberg. Desde então, além dos demais cursos de capacitação relacionados com o Sistema Socioeducativo, a Segurança Protetiva é defendida pelo sindicato junto ao GDF.
O Curso em pauta estava prosperando até o momento. A capacitação passou a contar com o reconhecimento da Escola de Governo – EGOV e com a inclusão de outras matérias também relevantes. O treinamento dos servidores consistia em uma semana de aulas teóricas como Operador de Rádio e Funcionamento da Corregedoria, e outra semana de aulas práticas de Defesa Pessoal, Imobilizações Táticas, e Contenção em Segurança Protetiva. As matérias aplicadas na segunda semana eram as mesmas aplicadas no formato anterior acrescidas de outras, também inovadoras na seara da defesa pessoal, contenções e imobilizações táticas.
O Curso de Segurança Protetiva encheu os servidores de esperança. A profissionalização do SSE havia se iniciado. Servidores de todos os cargos participavam do curso. Muitos paradigmas e preconceitos começaram a serem superados. Quem participou do curso passou a entender a realidade vivida pelos Agentes em momentos de crises. Procedimentos de contenções de internos, que antes eram interpretados como agressões, passaram a ser compreendidos como são de fato: Segurança Protetiva.
Recentemente, o SINDSSE/DF tomou conhecimento de que a atual Gestão da Subsecretaria do Sistema Socioeducativo – SUBSIS excluiu dois dos instrutores/idealizadores do curso sem nenhuma justificativa plausível. Foram excluídos justamente os profissionais especialistas em Jiu Jitsu/Arte Suave que é a base das técnicas de Defesa Pessoal, Imobilizações Táticas, e Contenção em Segurança Protetiva.
O SINDSSE/DF repudia veementemente a atitude arbitrária, preconceituosa, opressora da atual Subsecretaria que afastou os servidores do quadro da Capacitação no SSE sem nenhum motivo razoável e sem ao menos ter conhecimento sobre a importância da Segurança Protetiva para o todo Sistema Socioeducativo. Mas não se pode esperar postura diferente de uma gestão que iniciou suas atividades em meio a escândalos e denuncias graves envolvendo a atual titular da SUBSIS e que foram divulgadas pelos veículos de comunicação, uma gestão que não tem a aprovação e reconhecimento da categoria, uma gestão que não respeita os servidores, em especial os Agentes. Mas a falta de respeito com os servidores não para por aí. Os instrutores afastados relataram ao sindicato que se sentiram perseguidos e coagidos a abrir mão do termo Segurança Protetiva nos treinamentos que ministrarem a partir deste momento. Uma gestão que se apropria indevidamente de uma nomenclatura registrada legalmente por um dos instrutores não é digna do mínimo de consideração por parte dos servidores do SSE.
Para tentar entender melhor o que pode estar acontecendo, é importante ressaltar que algumas pessoas, que não possuem conhecimentos sobre as técnicas de Segurança Protetiva, ainda cultivam a cultura arcaica de achar que elas sejam empregadas com o objetivo de agredir os socioeducandos. Isso é um absurdo! Não há nenhum fundamento para esse entendimento. Qualquer pessoa mediana, que participe do curso de Segurança Protetiva, poderá comprovar que os métodos são aplicados como forma de preservar a integridade física de todos atores envolvidos em uma situação de crise, inclusive a do próprio agressor/socioeducando. Aliás, as técnicas propostas no Curso são inovadoras e não há registros de precedentes em nenhum outro lugar. Tanto é verdade, que os mesmos instrutores excluídos da capacitação estão compartilhando essa metodologia inovadora com outras instituições parceiras com grande sucesso e reconhecimento.
O SINDSSE/DF parabeniza os instrutores afastados por sempre honrarem e elevarem o nome do Sistema Socioeducativo junto a Segurança Protetiva por onde passaram, inclusive, nos prestigiando com o primeiro lugar no Campeonato Brasiliense de Jiu Jitsu recentemente. Parabéns também as instituições que valorizam seus profissionais e que estão buscando a capacitação de seus agentes por meio desse programa inovador que visa resguardar a integridade física tanto do agressor quanto a do executor das técnicas. Em especial, parabéns a PMDF/ROTAM que acolheu muito bem nossos instrutores de Segurança Protetiva adaptando o Curso à Realidade Policial. Infelizmente, enquanto nossa SUBSIS não valoriza nossos servidores, somos reconhecidos, muito bem recebidos e valorizados por outras instituições.
O SINDSSE/DF jamais desistirá de buscar a profissionalização do SSE, principalmente quando se pode contar com talentos dentro da nossa Carreira Socioeducativa. A luta está apenas começando.
“SINDSSE/DF – SINDICATO FORTE SE FAZ COM MOBILIZAÇÃO DA CATEGORIA!”
